EU ESTOU CADA VEZ MELHOR.

ESTAS PALAVRAS FALAM SOBRE O QUE VIVO, MAS TAMBÉM SOBRE O QUE OBSERVO. SOU "A PROTAGONISTA" DESTA NOVELA, MAS TAMBÉM A EXPECTADORA.

A RAIVA DÓI. MAS ESTOU AVANÇANDO EM DIREÇÃO À PAZ, DIA APÓS DIA.

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Acordei com a porta do "meu" quarto se abrindo: ele trazia a nossa filha, pra estar comigo. Ela dormiu a noite toda, ele dormiu ao lado da cama dela. 

"Que homem maravilhoso", diriam alguns. Exatamente o que ele quer que eu diga. 

(Aliás, em várias interações nossas ele comenta exatamente isto: "o que eu deveria dizer, ou sentir", em lugar do que efetivamente digo e sinto. Começa nestes pequenos detalhes, e em vários outros parecidos, esta raiva - que quase migrou pra um ódio mortal. Mas me levantei a tempo, em nome da minha cura e libertação, e da minha filha.)

E sim, eu tenho sim MUITO pelo quê agradecer, sim! Antes que venham os blablabla dizendo "ai, nossa, mas tua vida é maravilhosa" ... Sim, é. E agradeço todos os dias. Não somente agora, mas DESDE SEMPRE. Mesmo que eu seja tão profundamente conectada com este hábito, mesmo que meu olhar seja altamente treinado pra encontrar SEMPRE o que há "de bom" e belo em tudo e em todos, ainda assim, não estou livre (nunca estive) do sentimento de dor e frustração. Eu posso sentir dor, só não me permito arrastá-la comigo como bichinho de estimação, por onde for.

A dor vem, sim. Em alguns momentos eu soube atravessá-la da melhor forma possível, mas em outros fui atravessada. Esta dor traz atrás dela, bem resguardada, uma tristeza. Por "ter falhado". 

Sinto que falhei. Ao mesmo tempo sei que: "FALHAS" SÃO, NA VERDADE, UMA GRANDE ILUSÃO. 

Este sentimento de falha é como uma roupa temporária, que eu visto somente por ainda não ter alcançado a outra melhor, que já está encomendada. Sinto que falhei, mas sei que existe uma clareza sobre tudo isto, que eu ainda não acessei. 

O sentimento de falha é turvo, obscuro e pesado. 

Sei que isto não próprio da Consciência Plena, e sim do ego - que sempre quer ver a perfeição, e por isso fatalmente sofrerá

Quando uma pessoa está na Consciência Plena e NO SEU CENTRO, não existem estes pesos; mesmo que um caos ensurdecedor lhe pressione ao redor. 

Não estou AINDA no meu centro, e digo isto porque LEMBRO BEM DE COMO É ESTAR

Na "Contabilidade da Vida" NÃO EXISTEM FALHAS NEM ERROS. 

Este peso que ainda estou carregando está com os dias contados.  

Após eu receber nossa filha, fiquei com ela aqui pelo quarto, curtindo esta manhã de domingo cinza, de chuvinha fininha. Hoje tudo que eu queria era estar assim com ela, sem grandes planos nem horários - considerando a quantidade de horários que cumprimos durante a semana. E efetivamente consegui estar mais relax em casa, mas não por isto senti paz.

Primeiro, foi necessário resolver um erro que aconteceu ontem à noite com nossa compra de supermercado, porque ele NÃO LEU DIREITO o que escrevi. Mesmo que eu tenha deixado tudo organizado, sua impulsividade "cortou" o que estava quase pronto, e o pagamento foi feito sem que a compra estivesse concluída; deixando vários itens de fora e incluindo vários desnecessários. Como a conta usada está no meu nome: eu que precisava resolver. 

Numa manhã onde só queria estar "de boas", nada mais... Lá fui eu resolver o que ele fez.  

Detalhe: Eu não controlo a vida, isso está claro faz muitos anos. Um erro parecido a este poderia vir até do próprio supermercado e não dele - o que causaria zero raiva, porque quando vem de qualquer outra via, eu simplesmente entendo que erros acontecem e resolvo. O que pega forte aqui é que "ao já estar com raiva deste ser humano, ao estar vibrando na "raiva dele", mais situações que causam "raiva dele" vão se formar, onde eu menos esperar, e numa quantidade absurda. O que era "uma raiva nível 4, agora que está sendo vista e trabalhada está se mostrando nível 1000, mas eu sei que a liberdade está logo ali.

Onde a raiva começou a subir, pra além do momento em que eu percebi que precisava sentar no computador pra resolver coisa que não fui eu que fiz? Quando escutei que "já chega, eu já reclamei suficiente, agora é resolver e pronto." Sim. É verdade, esta é a atitude. MAS: Receber ordens de silenciar, de quem causou a bagunça toda, soou como: "É tu que vais ter que limpar o leite que eu derramei, eu sei, mas limpa quietinha, por favor". Será que esta atitude vem porque quem "derramou o leite" é quem pagou por ele? E "casualmente" quem não paga nada de sua subsistência, é quem limpa, cozinha, organiza tudo e repara os erros. "Só casualmente", diz ele.

SEGUIMOS A MANHÃ DO DOMINGO. 

( ... PAUSA PARA AGRADECER, DO NADA! EU AGRADEÇO POR ESTAR NUMA CASA, MESMO QUE NÃO SEJA MINHA, MESMO QUE NÃO SEJA UM LAR. AGRADEÇO POR TER UM TETO SOBRE A CABEÇA, AGRADEÇO POR ESTE APARTAMENTO TER UM POUCO DE BELEZA, AGRADEÇO POR TER COMIDA NA MESA. 

MESMO QUE TENHA VIVIDO TODO UM STRESS NA COMPRA DESTA COMIDA, UMA COMPRA QUE JÁ É FEITA ONLINE PARA FACILITAR A VIDA... NO ENTANTO, POUCAS PROBABILIDADES EXISTEM DE "DAR CERTO" A ADMINISTRAÇÃO DE QUALQUER ASSUNTO QUANDO OS SÓCIOS NÃO ESTÃO EM HARMONIA. PRA QUANTIDADE DE DISCÓRDIAS VIVIDAS, ATÉ QUE "NOS ORGANIZAMOS BEM" COM TUDO. DEVASTADOS EMOCIONALMENTE ESTAMOS, MAS VIDA QUE SEGUE. DIZ ELE, CLARO. A MINHA NÃO SEGUE, AO MENOS NÃO NO MESMO RITMO. TUDO ESTÁ MELHORANDO, EU SEI.

APESAR DE TER SIDO UM DIA EM QUE MEU CORAÇÃO CHOROU JUNTO COM ESTA CHUVA, EU AGRADEÇO POR TER SIDO MAIS UM DIA EM QUE ELE TEVE SEUS BATIMENTOS NORMAIS, MAIS UM DIA EM QUE ESTE CORAÇÃO ABENÇOADO SUSTENTOU A MINHA VIDA NESTE PLANO. 

EU SOU ETERNAMENTE GRATA POR ESTA VIDA, QUE AMO TANTO, E É EM NOME DESTE AMOR QUE EU PROFETIZO A VITÓRIA SOBRE MIM MESMA, E A MINHA LIBERTAÇÃO. 

AGRADEÇO POR TUDO QUE VEJO AO MEU REDOR: "MINHA" CAMA, O QUARTO LINDO DA MINHA FILHA, O CORPO ABENÇOADO E PERFEITO DELA, A ENERGIA DELA, O SEU SER, TUDO. O MEU CORPO ABENÇOADO E PERFEITO. 

INCONTÁVEIS BÊNÇÃOS. MESMO EM MEIO A TANTA DOR. EU AS VEJO, RECONHEÇO, E POR TUDO AGRADEÇO. 

SINTO O AMOR DE DEUS, MESMO ATRAVESSANDO ESTE DESERTO. 

ME SINTO SOZINHA, MAS NÃO DE PESSOAS QUE ME AMEM, E SIM DE ALGUÉM "EM QUEM EU POSSA DESCANSAR" TODOS OS SÁBADOS À NOITE, QUANDO A BIBLIOTECA FECHA. ESTE ESTADO CONSTANTE DE ALERTA ADOECE, MAS EU VOU SAIR SÃ E SALVA.

QUE ELE TAMBÉM POSSA SAIR ASSIM, PORQUE SEI QUE NÃO SOU A ÚNICA EXPOSTA À DOR. AGRADEÇO A DEUS POR MAIS UM DIA DE VIDA. ME AGRADEÇO POR ESCREVER. )

Logo, quando menos esperava: outro stress. Eu falei que estava com saudades de viajar, de entrar num avião, que fazia tempo que não viajávamos - menos ele, que frequentemente viaja. Neste momento, ele disse: "Ah, sim, falando nisto te comentei sobre o dia 21, sim?" ... Oi? Dia 21? NADA COMENTADO PESSOALMENTE, NADA ESCRITO NA AGENDA, ZERO MENSAGEM NO WHATSAPP SOBRE. 

Enfureci. 

Me disse que "mandou mensagem no Whats sobre. Peguei o celular e perguntei qual era a palavra usada, pra buscar a mensagem, não soube dizer, então disse que "me avisou num áudio, mas eu não tenho escutado"... O combinado, que neste momento já nem parece mais um combinado, era de que MENSAGENS SOBRE COMPROMISSOS IMPORTANTES PRECISAM ESTAR ESCRITAS. Mas ele "acredita que não tem problema" fazer diferente do combinado. Mesmo que eu tenha já avisado há muitos meses atrás que não priorizo seus áudios; se chegar a escutar. Tal é a "frouxidão" de sua palavra, eu sei muito bem que é bem possível vasculhar todos seus áudios e não encontrar a parte em que ele avisa sobre mais esta viagem. Viaja dia 21/12 e volta dia 1/12. Eu vou trabalhar na tarde do dia 28. E há muitos meses atrás eu tinha avisado que teremos uma visita na mesma data, à noite. 

O problema não é necessariamente viajar e me deixar com TODOS os afazeres tanto da casa quanto da criança, mas sim AGENDAR VIAGEM SEM SEQUER PERGUNTAR COMO ESTÁ MINHA AGENDA, PRA ME VIRAR SOZINHA NESTES DIAS... Enquanto isto, a minha única viagem a trabalho só foi agendada após uma consulta prévia sobre a disponibilidade dele de "se virar sozinho" naqueles dias em que eu supostamente estaria fora - afinal, eu só poderia agendar realmente, caso ele me confirmasse que poderia estar com Mila. 

Que "direitos iguais" são estes? 

Enquanto eu consulto e organizo tudo com enorme antecedência e fico sempre na espera de sua "anuência"; ele simplesmente agenda suas coisas, e até esquece de comentar... Mas jura de pés juntos que avisou num áudio. E, claro, é "mea culpa" não ter escutado, veja só que consequências tem este hábito meu, de me negar a escutar seus longos e enfadonhos áudios.    

O dia recém tinha começado, e o meu corpo já me dizia pela segunda vez que "estou no lugar errado". Coceiras ardendo, coração disparado, cabeça doendo. O stress transforma um corpo livre num corpo "congelado" e atrofiado. Confiando como confio na Justiça Divina, sei que "não existem erros", então sigo trabalhando em mim sem cessar, limpando tudo aquilo que me mantém, ainda, atada a este emaranhado. Dentro do meu coração, todo santo dia eu peço perdão à nossa filha, por "não ter dado" a ela o lar que ela merece. Era a intenção, era o que eu queria. 

Ao longo do dia, cada vez que eu conseguia relaxar, outra vez ele aparecia. 

E nestes momentos eu precisava lidar da forma que conseguia com sua presença que, infelizmente, me traz uma tremenda sensação de sufoco. Um incômodo indescritível: Meu corpo todo se tensiona em segundos, mesmo que "mentalmente eu saiba que não existe uma ameaça real". É fisiológico, o corpo reage, simplesmente. Só de escutar seus passos aproximando-se, o coração dispara, e não é por medo: É porque eu sei que neste momento já não vou mais poder "ser quem eu sou, ou demonstrar o que estou sentindo". O nível de intolerância em que me encontro talvez já possa chamar-se: "NÃO CONSIGO NEM RESPIRAR O MESMO AR."

Desta constatação vem tristeza, ainda mais tristeza - mas também um fôlego enorme por me salvar. Não tenho como sair correndo desta convivência, e o que me fará bem em não poder sair exatamente hoje é: Eu vou sair livre. Se eu sair assim, acorrentada a este sentimento de raiva, não sairia de fato. Esta raiva está como aquelas bolas que os prisioneiros antigos carregavam atadas ao pé. Cansando o meu corpo, e travando o meu caminhar.

NOSSO DOMINGO SEGUIU. E ele seguiu vindo até nós, ao menos umas 6 vezes. 

Eu não tinha vontade de estar na rua, Mila também estava se divertindo aqui - mas ainda assim lamentei não ter reunido forças bem cedo pra ter saído e ter voltado só à noite com Mila já dormindo - tal como faço tantos e tantos domingos; nos quais a oxitocina se faz presente em mim, o dia todo. 

TUDO ISTO NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA O GRANDE CULPADO POR EU ME SENTIR COMO ME SINTO. Tudo isto só significa que, ao perceber o estado em que me encontro, eu preciso me preservar - mas hoje não consegui, e a conta foi alta. Sou responsável pelo que sinto, e principalmente pelo que faço com tudo que sinto. Por este motivo, eu preciso sair o máximo possível. 

Já vivi isto antes. Senti que estava livre daquele tempo. E só agora, ao revivê-lo quase que completamente, percebo "quantas capas esta cebola ainda tem".

À tarde, lá pelas 16h, eu finalmente já tinha me arrumado e arrumado Mila, nós finalmente conseguimos sair pra dar um passeio. A última "aparição" foi abrindo a porta do quarto, pra perguntar "para que horas eu tinha planejado jantar". 

A FÚRIA SUBIU. 

Senhor Faz de Conta, eu gostaria de lhe dizer algo muito importante - mesmo que você ainda faça questão de "não entender" : Se você já percebeu claramente e também escutou que estou precisando de um espaço mínimo para recuperação da ínfima tolerância que tenho diante da vossa presença, por gentileza pare de fingir que "está tudo perfeito no ambiente"; e deixe de atuar como se "um jantar juntos" hoje (justamente hoje), possa ser a solução "genial" para estes vários anos de conversas necessárias sendo evitadas e acumuladas.

"Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita." - Confúcio  

A necessidade de "estar só" não foi respeitada. Mas pra mim o pior disto é a postura de inocência, que diz: "Não estou fazendo nada de errado, você que está com algum problema, bem grande inclusive." Uma pessoa que finge não ver tudo que está ruindo... Que ao me ver "despencando" só diz o mesmo sempre: eu também. Me sinto mal: Eu também. Estou cansada: Eu mais". Uma pessoa que diz "querer o meu bem e me apoiar", mas NÃO PERDE A OPORTUNIDADE DE ENVIAR-ME TODOS ANÚNCIOS DE TRABALHO POSSÍVEIS ou repetir várias vezes a frase "precisamos conversar sobre as finanças" e "precisamos movimentar-nos pra ter renda suficiente" ... Atitudes nas quais ele NÃO CHEGA A ESTAR ERRADO, porque eu sei que preciso conseguir retomar as rédeas da minha vida profissional e financeira, e sei que ainda não consegui. Cada vez que me chegam estas frases e mensagens com anúncios eu sinto: "Ei, você ainda não conseguiu. Já passou da hora, sua falida." 

Eu não sou uma vítima, ele não é um algoz. 

Ambos alimentamos mutuamente esta situação degradante.

Em terapia, com ajuda da querida Adelaide, e em todos os outros dias da minha vida, tudo que tenho feito é LIMPAR EM MIM, DA FORMA QUE EU CONSIGO, A SUJEIRA BRABA QUE POR ENQUANTO AINDA ME MANTÉM EM RESSONÂNCIA COM TUDO ISTO. 

Já na rua, vejo mensagem sua no Whats. 

O que sinto? Perseguição. Mensagem muito educada. Mas ainda assim, eu sinto que este ser humano "não foi capaz de me deixar em paz" o dia todo: enquanto eu claramente ainda não tenho sido capaz de impedir que "qualquer um" tire minha paz. 

Paciência. Ciência da Paz. Eu escolho a paz. 

E lá sei como é sustentar esta decisão na prática

Ainda não, mas EU JURO QUE ESTOU APRENDENDO E APRENDO RÁPIDO.

Porque tem sido um verdadeiro inferno estes "poucos" momentos de obrigatória interação com este senhor, mas... 

Mesmo assim eu ainda posso afirmar que TODO OS DIAS, SOB TODOS OS ASPECTOS, EU ESTOU CADA VEZ MELHOR.

   


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