Desespero. Não é uma palavra que gosto de escrever. Não é um orgulho, é uma confissão. Me pesa o desespero, a desesperança, por não ter saído ainda de onde estou. Junho de 2023. Eu pari em junho de 2021. Dois anos. Parece pouco, passou rápido. Mas é MUITO tempo, pra seguir dependendo de outra pessoa, pra coisas básicas. Pesa a espera. Muitos detalhes não estão em minhas mãos, e isso dói, mas ainda assim estou em movimento, por tudo aquilo que sim está ao meu alcance. Sinto vergonha de conversar sobre "o que estou fazendo", por ter várias coisas "engatilhadas", mas não estar fazendo ainda nenhuma que me sustente. Vergonha. Voz que julga. "Uma adulta, dependendo". O pessimismo e a tristeza vêm com tudo. Mas eu não sou isto. É só um momento de dor. Pode ser que dores mais antigas estejam sendo curadas hoje em dia, porque muitas vezes parece impossível de compreender. Olho ao meu redor, vejo várias bênçãos, e ainda assim a dor emocional é imensa. São momentos onde eu me perco totalmente do meu senso de valor, sinto que não tenho valor algum. Sei que não é assim. E veja bem: Eu trabalho justamente com isto! Nas minhas sessões, infinitas vezes trabalhei com meus clientes como eles se vêem, isso é essencial para os resultados e o compromisso que temos com nós mesmos e nossas metas. "Como assim, não atingiu a meta ainda, se você trabalha justamente com isto?". Neste momento, vem a voz da impostora pensando que sou uma fraude, e eu lembro: NADA DISTO, eu sou é humana! Eu posso chorar. Eu posso me sentir mal de vez em quando - ainda que nestes últimos dois anos tenha sido tão recorrente! Eu posso adoecer (acaso realmente poderia ser Depressão Pós Parto?). Eu posso atravessar um deserto. Eu posso cair. O que realmente importa aqui é : LEVANTAR. Respiro, me acalmo, tomo água, volto a acreditar que eu vou conseguir mudar esta realidade. Me renovo. Não vejo outra opção.
A intensidade destes últimos meses tem sido avassaladora.
Domingo lindo, lua cheia, a angústia trancada na garganta.
Uma busca desesperada por qualquer tipo de solução rápida.
Dor de cabeça. Tristeza. Sei que não chorei tudo ainda.
Vou pra cozinha preparar algumas coisas pra esta semana.
Sei que isso vai me trazer um pouco de alívio momentâneo. Percebo que estou vivendo bastante assim, de alívios momentâneos, um atrás do outro. Anestesias. Benéficas. Fazendo tudo que precisa ser feito realmente, ou me enganando sobre isto?
Barulho forte. Pássaros cantando, crianças brincando. A casa ainda por terminar de arrumar. Passei a manhã toda fora, com minha filha, seu pai cuidou de uma parte da organização da casa, varreu, preparou a comida. Agora eles estão na rua. Minha filha está saudável. Tenho muito por agradecer todos os dias. Hoje vamos ver a lua subir sobre o mar. Estamos num momento financeiro delicado, mas comemos bem, temos o carro, viajamos. Existem desavenças entre eu e ele, que nem posso imaginar como vamos resolver, mas : Estamos vencendo um dia após o outro este caminho, na paz - mesmo que existam tantas coisas por dizer e ouvir. Mila é uma criança feliz. Está numa das melhores creches da região. Somos abençoados.
E ainda assim está aqui : o peso do desespero, por não ter saído ainda de onde estou. O peso da espera, mesmo que eu esteja em movimento. Respiro, tomo água, volto a acreditar que eu vou conseguir mudar esta realidade. Me renovo.
Tenho pendentes e por preparar tantas coisas, tudo isso eu amo. Fechamento do maio Furta-Cor. Uma edição de livro pra entregar nestes próximos dias. Um projeto novo e secreto pra entregar também. Aulas e alinhamentos da DoTerra pra assistir, classes pra dar. Celebração dos dois aninhos de Mila. Festa Junina, se der. Rosi amada do meu coração virá estar conosco um dia. Encontro Mulheres do Brasil. A vida distrai. Mas não me perco. Por mais compromissos que tenha, sigo focada. O melhor está por vir.
Hoje encerro o meu dia entregando a Deus toda a dor que sinto.
Em nome de Jesus, eu sou curada na raiz destes sentimentos.
Eu poderia desistir de tudo, mas agradeço por não ter esta opção.
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