Desabafo

  • Hoje, talvez pela primeira vez por aqui, eu vou desabafar. Mesmo que este blog seja público. Eu poderia deixar estas palavras no meu OneNote, sem jamais publicar, mas na verdade não me sinto inteira publicando "só coisinhas boas ou neutras" ... As emoções mal vistas também têm seu lugar. Escrevo sem nenhum propósito hoje, nenhum além de :


  • SOLTAR. DEIXAR IR. 

  • Desabafar, o contrário de abafar. 


  • Escolho não enfiar debaixo do tapete, escolho não "tragarme todo", no silêncio que tenho feito. Este silêncio, inclusive, merece um post à parte. 


  • Hoje estou me sentindo triste. Publico no dia 8, numa noite de eclipse (interessante citar isto, mas não sei muito sobre o assunto, recém estou aprendendo a prestar atenção nestas coisas 😂) mas escrevi no dia 6. Escrevi tudo isso quando me sentia 'abrumada' , como dizem aqui. Vinha de uns dias sem descanso e com noites mal dormidas. Nossa rotina diária tem sempre meu descanso garantido, MAS... Às vezes não acontece. Sexta-feira o pai de Mila estava trabalhando fora, no escritório. Sábado acabamos passando o dia todo juntos, sem que eu tivesse o meu espaço. E no domingo, no meu primeiro momento sozinha, pensando que em breve teria outro, escolhi fazer um almoço especial, já que no dia anterior não tínhamos comido muito bem. Porém à tarde acabou que não foi possível descansar, pelos horários de Mila. Assim, acumulei tempo demais sem descanso. 


  • Num destes dias de tanto peso e cansaço, o momento mais tenso foi quando eu sentei pra comer, e Mila escutou na nossa conversa a palavra snack, então pediu um. Faz muito tempo que ela não come snack, porque eu costumava dar só ao sair da creche, e fazem muitos dias que não vamos à creche. O que eu costumo dar é um ecológico, feito com dois ingredientes, no máximo. Mas, o snack que estávamos falando era grão de bico tostado, e não este que ela conhece e queria. Começou a chorar desconsolada repetindo mil vezes "cac, cac, cac" , pediu teta e eu obviamente precisei largar o prato que recém começava a servir, pra dar teta.


  • [ Aqui um longo adendo : Existe uma frase famosa de Yvonne Laborda que diz : 'Dar lo que no tuviste duele'. Dar o que não tivestes dói. Muito provavelmente esta é uma raiz pra insatisfação profunda que eu sinto quando "preciso" acolher minha amada filha em sua necessidade, num momento em que eu também tenho uma necessidade. Porém, tenho tomado consciência de que não existe este PRECISO. Por mais que não acolhê-la não seja uma opção PRA MIM, é uma opção que existe. Só não escolho isto. Ok. Então, eu escolho atender ao que minha filha está precisando, mesmo que eu também esteja precisando de algo, porque eu sou o cérebro maduro da relação. Sim. Mas : Se eu fizer isso explodindo de raiva ou tristeza, me sentindo em desvantagem por não poder sentar e comer como o pai dela faz, então provavelmente eu precise questionar a efetividade desta escolha. Afinal, se eu escolho acolher minha filha em sua necessidade é por algum motivo. É para que ela se sinta bem, aprenda que este mundo é seguro, aprenda que pode contar comigo e blablabla. Será que é exatamente isso que ela acontece quando eu a acolho, estando emburrada por dentro? Amo deixar perguntas abertas, as respostas sempre chegam. Eu não sei o que minha filha sente quando eu a acolho e lhe dou o peito sentindo tudo isso por dentro. Mas eu sei que, ao menos neste momento, este é o meu melhor. Reflito sobre tudo, com certeza. Estou sempre focada em ampliar minha consciência sobre tudo ao meu redor, sobre quem sou e tudo que vivo. Também sempre disposta a novas atitudes. Refletindo demais sobre "até onde eu dou conta de me doar sem me doer". Estou à serviço da vida, minha filha é minha prioridade, e ao mesmo tempo também não posso me jogar pras traças. Importante trilhar o caminho do meio. 💚 ] 


  • Naquele momento eu senti que é muito mais leve pro pai, do que pra mãe. O pai dela podia se sentar na mesa e comer. Eu precisava esperar, primeiro servir e depois comer. Dor, por simplesmente parecer que estou só reclamando, nada mais. Dor, por não me sentir compreendida. Mas hoje é terça-feira, dias depois, e olhando de fora eu só posso dizer que : tá tudo certo, eu me entendo. No momento da dor tudo que eu gostaria era ser compreendida, mas quando passa percebo que me compreender e me acolher já é suficiente. 


  • Dor de cabeça também. 


  • Abri um pouco ao pai sobre como estava me sentindo, e naquele momento eu percebi, uma vez mais, que não vale a pena. Que eu não tenho como ficar narrando tudo que sinto, na verdade o outro não tem como acessar. Não é sobre o meu pai, é sobre mim. É sobre eu conseguir dar a volta por cima de tudo isso. Contornar esta situação na base do amor. 


  • Não deu tempo de seguir escrevendo no domingo à noite, porque a filha acordou e quis teta. Dormi dando teta. Acordei segunda, já na função de trocar fralda e dar o café da manhã, porque ela acordou com fome. Terminei de dar o café da manhã e tomar o meu. Ela quis brincar um pouco no interfone, depois quis que eu leia o livro pra ela. 

  • Eles saem. Eu tenho no máximo 1h. Preciso terminar de fazer o supermercado online, preciso lavar meu cabelo, limpar o banheiro que uso. Gostaria muito de responder ao menos algumas das minhas mensagens atrasadas. Mas não fiz nada disto. ✨ 

  • Comecei a escrever e eles voltaram. 

  • Fui interrompida. Sou interrompida infinitas vezes ao dia. É parte da vida atual. Neste momento ela está acordando e vou dar teta novamente. Quem sabe um dia eu volto pra dar um final a estas palavras. Por hoje, deixo assim. O desabafo tá feito. Ao longo de vários dias. Concluído, mas sem conclusão. 


  • Vida de mãe. 🥰 


 

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